quinta-feira, 14 de maio de 2015

Como construo meu " Diário de Campo"

O que é diário de campo?



O diário de campo é um instrumento utilizado pelos investigadores para registar/anotar os dados recolhidos susceptíveis de serem interpretados. Neste sentido, o diário de campo é uma ferramenta que permite sistematizar as experiências para posteriormente analisar os resultados.



Técnica de registro utilizada em pesquisas que utilizam Observação Participante como metodologia de Pesquisa.



O diário de campo (Lourau, 2004), como guia para a ação no campo da intercessão e para a elaboração teórica a partir da análise de implicação do intercessor, a análise da implicação (Paulon, 2005), que se refere aos lugares que o intercessor ocupa no campo da intercessão e o seu envolvimento pessoal com o mesmo, bem como dos jogos de interesse e de poder presentes nesse campo, dos quais o intercessor também participa, e a cartografia dos afetos (Rolnik, 2007), como maneira de entender as estratégias de formação do desejo no campo da intercessão, que inventa ações contextualizadas tanto nesse como em sua sensibilidade ao se relacionar com os que dele participam.  


Como eu faço meu "Diário de Campo"?

Eu uso um caderno comum, inicialmente eu escrevo um cabeçalho da seguinte forma:

Diário de Campo
Data estrelar, 00 de Maio de 0000
Local: UBS da 000


Geralmente na descrição costumo escrever o que eu estou fazendo no momento no local de trabalho, por exemplo, Discussão com casos com equipe, atendimento individual, reunião com gestão. 

Uso também como instrumento do trabalho, anotando informações pertinentes.



As vezes escrevo sobre o que alguma atividade afetou em mim, enquanto residente e profissional. 

Enfim, meu diário de campo é assim segue alguns exemplos.















Matriciamento do Nasf




"O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) só consegue prestar apoio matricial quando reconhece que o 'outro' tem muito conhecimento. É preciso apostar no potencial pedagógico do 'outro'. O apoio matricial é práxis, precisa ser reinventado sempre, depende de espaços coletivos." Assim expôs o sanitarista 


Vídeo repassado pela nossa preceptora, depois de uma visita institucional. 

O que é a política Nacional de Humanização? Quais são seus dispositivos, e como vocês percebem que estes dispositivos podem contribuir para a organização da Atenção Primária no SUS?

De acordo com o portal do ministério da saúde, a Política Nacional de Humanização conhecido como PNH, existe desde 2003, criada com o objetivo de efetivar os princípios do SUS, ou seja operacionalizar aquilo que na teoria estava descrito como algo utópico de   acontecer (Portal da Saúde, 2014). 


De forma sucinta, os propósitos que se pretende operacionalizar os princípios do SUS,  são transversalidade, indissociabilização entre atenção e gestão e protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos e coletivos. A palavra transversal significa, aquilo que atravessa algo tendo como alguma coisa referente, que perpassa por dois pontos, na saúde que permeia vários saberes e politicas dentro do SUS.  Transversalizar é reconhecer que as diferentes especialidades e práticas de saúde podem conversar com a experiência daquele que é assistido. Algo indissociabilidade significa aquilo que não se separam, indissociável, ou seja, as tomadas de decisões por parte da gestão que interferem diretamente nos processos de trabalho da atenção, devem ser realizados de forma conjunta, estimulando assim a participação e a corresponsabilização entre os diferentes setores. 

Dessa forma é possível trabalhar com o objetivo de provocar o protagonismo e a corresponsabilidade dos usuários também. Os usuários não são só pacientes, os trabalhadores não só cumprem ordens: as mudanças acontecem com o reconhecimento do papel de cada um. A Política Nacional de Humanização busca são: Redução de filas e do tempo de espera, com ampliação do acesso; Atendimento acolhedor e resolutivo baseado em critérios de risco; Implantação de modelo de atenção com responsabilização e vínculo; Garantia dos direitos dos usuários; Valorização do trabalho na saúde; Gestão participativa nos serviços.

Na prática a PNH pode contribuir para a atenção primária, por meio de alguns conceitos que norteiam o trabalho como o acolhimento, que pode ser realizado  como uma escuta qualificada oferecida pelos trabalhadores de saúde às necessidades do usuário, entre outras diversas formas de provocar o acolhimento. Além do acolhimento, outras ferramentas seriam a gestão participativa e cogestão, trabalhar a ambiência,  a clínica ampliada e compartilhada, a valorização do trabalhador e a defesa dos Direitos dos Usuários. 





Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. HumanizaSus. Política Nacional de Humanização. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o.ministerio/principal/secretarias/sas/humanizasus. Acesso em: 04.05.2015.



Agora Novo território


O cenário de prática onde é realizado o trabalho é o Nasf- Núcleo de Apoio ao Saúde da família. O Nasf apoio as ações da ESF ampliando o escopo de serviços ofertados e consequentemente aumentando a resolutividade da atenção básica.
O Nasf oferece serviços de apoio matricial por meio de reuniões de equipe, discussões de casos de forma coletiva, participação em grupos existentes na unidade, encontros de educação permanente.

Além disso, os profissionais do Nasf também realizam com a ESF visitas domiciliares, atendimentos individuais, atendimentos compartilhados, atendimentos de emergências, elaboração de Pts.


É também trabalho do Nasf a realização de articulação Inter setorial. Nas reuniões de equipe e no dia-a-dia, a ESF demanda apoio do Nasf em diversas situações podendo o Nasf intervir direta ou indiretamente. 


O Nasf Central oferece apoio as UBS´s da 1103 Sul que é composta por duas equipes de ESF e onde também é localizada as instalações do Nasf. Também fazem parte do território de abrangência do Nasf Central as UBS´s da 1206 Sul com três equipes de ESF, a UBS da 1106 Sul com apenas uma equipe de ESF e recentemente foi incluindo no território de abrangência do Nasf a 1004 Sul com três equipes de ESF. 


Durante esse período de trabalho no Nasf Central foi possível observar que o perfil população de cada UBS difere uma da outra. Por exemplo, na 1103 Sul, foi possível perceber que a população apresenta em sua grande maioria pessoas que possuem curso superior, famílias com famílias entre 1 a 3 pessoas compondo o grupo familiar. Apesar do diagnostico situacional dessas equipes não estar completo foi possível realizar essas observações. Enquanto que na 1106 Sul, a população mora em quitinetes existindo assim uma rotatividade de moradores daquele território. 


Para Mendes e Donato (2003) o território se constitui um local físico delimitado conforme a finalidade a que se pretendo. Para as autoras, essa delimitação permite a identificação das particularidades enquanto território delimitado, por configurar um local onde as pessoas moram, vivem, trabalham, adoecem e amam e que tudo isso se configuram as características sociais, econômicos e culturais.


De forma geral as instituições em torno também são bastante diversificadas possuindo hortas comunitárias, Escolas Municipais e Estaduais de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Além disso, Centros Municipais de Educação Infantil – CEMEIS, avenidas comerciais, Rodo shopping com atividade comercial mais restritiva que a avenida comercial, contem praça de lazer para a população local, contudo, as quadras de cobertura em saúde nem todas tem infraestrutura mínima, coleta de lixo, pavimentação, acesso a agua tratada etc. Existe também Centro de Referência em Assistência Social – CRAS.


Charge

Novembro de 2014




Reflexão sobre os processos de trabalho. Discutimos sobre a importância de se planejar antes de participar das reuniões de equipe. Hoje pela manhã, participamos da reunião de equipe programada, discutimos alguns casos sendo eles, Caso do T., Caso do D. J., Caso L. B., Caso D., Caso J. Ficou faltando o caso do Jerferson para discussão, porque a equipe não tinha informações suficientes para a discussão de caso.

Enquanto a equipe Nasf conduzia a reunião de equipe, eu particularmente fui acionada pela enfermeira de outra equipe para atendimento emergencial, de uma usuário que havia chegado a unidade de saúde com ideação suicida. Minha atitude em relação a essa emergência foi a seguinte, procurar a enfermeira chefe que rapidamente repassou o caso. Em seguida convidei-a a participar do atendimento que ela havia solicitado. Após sair da sala de triagem, eu psicóloga e a enfermeira da ESF realizamos uma escuta qualificada da usuário do SUS. Diante do relato da usuário, identificamos o caso como alto risco, em seguida, o médico da  unidade realizou atendimento e encaminhamento para o médico psiquiatra da rede. Marcamos também uma escuta da filha, no dia seguinte pela manhã. Logo em seguida a usuário foi liberada, no entanto ela não estava acompanhada dos familiares.

Após a discussão do caso com a equipe Nasf decidimos que deveria ser realizado uma visita domiciliar a usuário, tendo em vista que ela não estava acompanhada pelos familiares e pelo seu relato era práxis ela ficar sozinha em casa. Quando estávamos prontas (eu e a enfermeira) para realizar a visita domiciliar, a usuária retorna a UBS em busca de sua carteira de identidade que havia esquecido. Na ocasião ela estava acompanhada de uma amiga, que relatou considerar uma irmã.

Realizamos escuta dessa amiga, com o objetivo de repassar informações e orientações sobre o cuidado, quanto a usuária com ideação suicida. A usuária saiu receitada e sob cuidados dessa amiga. No dia seguinte realizamos a escuta da filha de dona. L., que trouxe também em sua fala cansaço e sofrimento, além de reafirmar conflitos intrafamiliares, orientamos para que procurasse apoio psicológico por conta da demanda que foi levantando durante o atendimento. 
Remarcamos o atendimento de dona. L. afim que avaliar as condições atuais para próximos encaminhamentos.  Por fim essa semana foi considerada produtiva, quando se avalia a nossa percepção de que precisamos nos organizar, enquanto equipe com objetivo de sentirmos produtividade e fluidez no nosso trabalho, porque o sentimento que foi gerado foi que estávamos trabalhando, trabalhando e não estávamos sentimento nada. 

Mês de Dezembro.....Desespero Total.....Mudança de Território


De acordo com as anotações e experimentações vividas, durante o mês de dezembro foi intenso em suas atividades, foram realizados até agora reuniões de equipe para discussão de casos e planejamento de ações pontuais, articulações intersetoriais com o objetivo de formar parceiros no cuidado de alguns casos acompanhados e organização dos processos de trabalho. 


Nesse momento senti a necessidade de escrever um pouco sobre as sensações vividas durante esse ano de 2014. Como descrito no início do Portfólio, tivemos muitas sensações envolvidas no processo de entrada na residência. Após o introdutório, iniciamos as atividades práticas em nosso território de atuação, a implantação dos Nasf´s no munícipio de Palmas, ficou subdividido da seguinte forma: três Nasf´s tipo II de acordo com o Ministério da Saúde se caracteriza como Nasf tipo II....

Sendo assim, surgiram Nasf da região Sul, Nasf da região Central e Nasf da região Norte. Os Nasf´s Sul e Norte, foram formados por residentes e o Nasf central por Preceptores. Diante dessa configuração cabe uma reflexão muito importante que é a questão do presença do preceptor no local de prática do residente. Por um lado entende-se que a presença do preceptor poderia inibir algumas atitudes e reações dos residentes provocando uma relação de paternalismo, acreditando que sem a presença do preceptor o residente se sentiria autônomo em suas práticas. 

No entanto, por outro lado entende-se como papel do preceptor:






Tal configuração foi reformulada em Novembro do ano corrente. O objetivo do texto atual é relatar a experiência dessa alteração na configuração dos Nasf´s. Durante uma reunião ocorrida no dia 17 de Novembro de 2014, foi apresentado aos residentes a proposta de alteração da seguinte forma: desmembrar do Nasf Central os preceptores da Psicologia e do Serviço Social e inclui-los no Nasf Norte e desmembrar os residentes das respectivas classes profissionais do Nasf Norte e inseri-los ao Nasf Central.
Foi ofertado também a possibilidade de escolha entre as duas profissionais de psicologia para se disporem a alteração. No entanto, devido à demora no tempo de decisão, o fato das duas profissionais não desejarem tal alteração entre outras questões de relevância afetiva, decido aderir à proposta de alteração.
 As razões, motivos que me levaram a tomar essa decisão foram as seguintes: 
I- Em relação ao meu projeto de intervenção, o projeto de educação permanente com os ACS´s, não havia iniciado ainda, estava na fase de apresentação da proposta as equipes de saúde, enquanto o projeto da outra colega psicóloga já havia sido iniciado.
 II -  O Nasf Norte já havia passado por muitos desafios durante o ano de 2014, sendo assim, as experiências apesar de terem gerado muito aprendizagem, foram experiências também aversivas. 
III- O Nasf Central, possui uma área com menor vulnerabilidade social, sendo assim seria uma região com menor desafios pela frente (apesar disso não ser considerado vantagem pra mim). 
IV – Por já possuir vínculos com os profissionais que iriam exercer suas atividades laborais no Nasf Central senti-me confortável em aderir a proposta, apesar da minha dificuldade de transporte para o local de trabalho, preferir assim. 
Essa decisão não foi uma decisão fácil, ao contrário, o trabalho desenvolvido no Nasf Norte, aparentemente não possui algo palpável ou concreto, no entanto era um trabalho de vínculos e interação com alguns trabalhadores de saúde. Esse tipo de relação, particularmente é considerado uma conquista, levando em consideração o tempo, a dificuldade e os desafios que tivemos em produzir uma relação de confiança com as equipes de saúde. 
Inicialmente as equipes de saúde nos visualizavam como equipes fiscalizadores da gestão ou “como um povo que só trazia mais serviço”, essa forma de ver o Nasf já estava em desconstrução e já estávamos construindo uma nova forma de ver o Nasf, como forma de parceiros, colaboradores, como uma equipe de apoio. Outro sentimento de “parto” foi em relação aos próprios casos que estavam sob minha responsabilidade quanto ao acompanhamento, alguns vínculos construídos com pacientes foram vínculos terapêuticos, embora o trabalho desenvolvido fosse de apoio e os atendimentos pactuados com as equipes de saúde da família.
De modo geral, foram realizados, atendimentos individuais; visitas domiciliares; atendimentos realizados no domicilio; visitas institucionais e articulações intersetoriais; participações em atividades educativas; reuniões de equipe; consultas conjuntas, discussões de casos e construção de Pts´s. 

O mês de Dezembro ainda continua ainda tem muita água pra rolar debaixo dessa ponte, mas o mais importante é estarmos em constante reflexão sobre nossas práticas, nosso jeito de ser, nosso jeito de tratar as pessoas, nosso jeito de produzir saúde e provocar nos outros o desejo de produção de saúde, nossos relacionamentos com outros, com os profissionais de saúde, nosso relacionamento com os usuários, nossa ética e moral profissional e pessoal. Durante o trabalho com a equipe, muitas discussões foram disparadas em torno desses temas citados acima. Muitas conversas foram realizados sobre a própria atuação enquanto equipe, sobre o que de fato é ser uma equipe e trabalhar como equipe de saúde. Foi um ano de muito aprendizagem